RESERVA TECNICA DO MUSEU:
Conceito e Importância
A reserva técnica é o espaço destinado ao acondicionamento, preservação e guarda dos acervos de um museu que não estão em exposição. Trata-se de um setor estratégico, planejado segundo normas museológicas e critérios de conservação preventiva, onde as peças são organizadas, inventariadas e armazenadas em condições ambientais controladas, garantindo sua integridade física e histórica ao longo do tempo. Este ambiente não é simplesmente um “depósito”, mas uma área de alta especialização, dotada de infraestrutura adequada para controlar temperatura, umidade relativa do ar, iluminação, ventilação e proteção contra pragas e agentes nocivos. Além disso, segue protocolos rígidos de manuseio e acondicionamento, utilizando materiais e mobiliário que não causem danos aos bens culturais.
A importância da reserva técnica reside em vários aspectos:
- Preservação a longo prazo – É o principal núcleo de proteção do patrimônio museológico, assegurando que peças de valor histórico, artístico, científico ou etnográfico mantenham suas características originais para as futuras gerações.
- Gestão do acervo – Permite o controle rigoroso sobre cada item por meio de inventários, registros e catalogação, favorecendo pesquisas, empréstimos e exposições temporárias.
- Flexibilidade museográfica – Ao conservar obras que não estão em exposição, possibilita a renovação e a rotatividade das mostras, enriquecendo a experiência do público.
- Apoio à pesquisa – A reserva técnica é fonte primária para pesquisadores, restauradores e curadores, viabilizando estudos aprofundados sobre o acervo.
- Proteção contra riscos – Reduz a exposição desnecessária de peças a fatores de deterioração e permite a adoção de planos de emergência, como protocolos de evacuação de bens em casos de sinistro.
Em síntese, a reserva técnica é o “coração oculto” de um museu. Sem ela, a preservação do patrimônio e a função social e científica da instituição estariam comprometidas. A qualidade de sua estrutura e gestão é um dos principais indicadores da seriedade e do compromisso do museu com a salvaguarda de seus bens culturais.
A qualidade de uma reserva técnica é considerada um dos principais indicadores de excelência institucional. O Conselho Internacional de Museus (ICOM) estabelece que a preservação é uma das três funções fundamentais do museu, junto à pesquisa e comunicação. No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Resolução Normativa nº 2 do Sistema Brasileiro de Museus (2009) reforçam que a reserva técnica é elemento central para a salvaguarda do patrimônio. Assim, a reserva técnica não apenas assegura a sobrevivência física dos acervos, mas também garante a continuidade da missão social, educativa e científica do museu. Sua existência é condição para que o patrimônio material possa ser transmitido de forma íntegra e contextualizada às gerações futuras.
Referências Bibliográficas e Normativas
BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Cartilha de Conservação Preventiva em Museus. Brasília: IPHAN, 2014.
BRASIL. Ministério da Cultura – Sistema Brasileiro de Museus. Resolução Normativa nº 2, de 29 de agosto de 2009. Dispõe sobre parâmetros para a organização e funcionamento das reservas técnicas.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Tania Maria de Castro. Preservação de Documentos: teoria e prática. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS – ICOM. Código de Ética para Museus. Paris: ICOM, 2017.
MARQUES, Maria Isabel; CURY, Marília Xavier. Gestão de Acervos Museológicos. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2010.
THOMSON, Garry. The Museum Environment. 2. ed. Londres: Butterworth-Heinemann, 1986.














